Minority Report: A Nova Lei

 



Antecipar os crimes. A genialidade de Philip K. Dick e a realização de Steven Spielberg. No ano de 2054, há um sistema que permite que crimes sejam previstos com precisão, o que faz a taxa de assassinatos cair para zero. O problema começa quando o detetive John Anderton, um dos principais agentes do combate ao crime, descobre que foi previsto um assassinato que ele mesmo irá cometer, colocando em dúvida sua reputação e a confiabilidade do sistema.A ação desenrola-se em Washington no ano de 2054, onde funciona eficazmente uma divisão policial de pré-crime, onde são utilizados os poderes pré-cognitivos de três adolescentes alterados geneticamente pela Doutora Iris Hineman (Lois Smith) e que têm a capacidade de prever um homicídio poucas horas antes da sua realização, fornecendo também as identidades do assassino e das vítimas. Os três Precogs só funcionam em conjunto e vivem num tanque líquido. A divisão é liderada por um detetive experiente, John Anderton (Tom Cruise), a quem é entregue a tarefa de visualizar as imagens do futuro crime e impedir o seu acontecimento. Anderton tem uma relação quase filial com Lamar Burgess (Max Von Sydow), mentor do projeto e que luta no sentido de mover as suas influências junto do Senado americano para legalizar a divisão de pré-crime a nível nacional, suplantando todas as discussões éticas que a questão suscita. Anderton vive fragilizado pela morte do seu filho, que havia sido raptado numa piscina pública seis anos antes e aparecido morto numa praia. 

Refugia-se nas drogas e abandona a sua mulher, dedicando a sua vida à extirpação do crime como forma de expiação por um facto de que se considera responsável. Contudo, durante a visualização de um pré-homicídio, ele assiste a uma cena em que alveja mortalmente um homem que não conhece. Sabendo que tem apenas 36 horas para provar a sua inocência, resolve desafiar a Justiça, sendo vítima de uma impiedosa perseguição movida pelo agente da F.B.I. Danny Witwer (Colin Farrell). Decide então fazer um transplante da córnea como forma de poder escapar a uma identificação e tenta provar os possíveis pontos fracos dos Precogs. Decide então raptar Agatha (Samantha Morton), a mais esclarecida dos Precogs e juntos tentam encontrar um Relatório Minoritário, um documento comprovativo da fragilidade do sistema em que um dos Precogs terá visto algo diferente dos outros dois. Em breve, Anderton vê-se envolvido numa teia de enganos e mentiras em que é colocado frente a frente com o possível assassino de seu filho.

Para o desenrolar da narrativa (quer no conto quer no filme) desempenha um papel fundamental a existência de relatórios minoritários, isto é, o fato de a previsão de um dos precogs ser por vezes divergente da dos outros dois, o que abre a possibilidade de diversos futuros potenciais, recuperando parcialmente—mas não necessariamente, o que é uma das mais importantes diferenças entre conto e filme—a ideia de livre arbítrio que é posta em causa pela própria premissa da narrativa

É preciso muita imaginação, sobretudo porque ficamos a saber no final que existe uma margem de erro nas previsões. Mais ainda os pais dos miúdos especiais não sabiam que eles seriam escravos...

Comentários