Podia ser melhor, mas não foi. O guião de “Prisoners” é propício a surpresas e felizmente tem muito por onde se pegar, mas é claro que o seu principal objetivo é manter o espetador preso ao mistério e à incerteza que rodeiam os desaparecimentos das duas amigas e o subsequente aparecimento do único suspeito do crime, que pelos vistos nunca chega a ser assim um grande suspeito, já que a polícia não parece ter muitas bases para o acusar. O filme joga precisamente com esta possibilidade de inocência ou culpabilidade para montar um arco narrativo cheio de emotivos diálogos que evocam as diferentes visões e emoções dos protagonistas, que são desta forma atirados para o centro de um intenso jogo de procura de respostas e explicações, que se mantém tenso, imprevisível e duro quase até à parte final do filme, onde toda a intriga é finalmente explicada sem grandes hesitações. Para além do pai magoado e do aparente suspeito, “Prisoners” tem um terceiro protagonista na pele do Detetive, que parece ser a única voz da razão no seio da história, já que no início prefere deixar as provas falarem por si em vez de partir logo para a violência e atitudes precipitadas, por muitas bases teóricas credíveis que elas possam ter. Esta terceira personagens acaba por ser tão importante como o pai e o suspeito, já que representa as figuras da polícia e da justiça propriamente dita, que no filme são sempre atacadas pela sua lentidão ou incompetência, em contraste com a aparente eficácia da justiça popular, que nem precisa de julgamentos para extrair pecados e executar penas violentas. Por entre este intenso jogo de mentes e intenções há algumas partes mais mixurucas que denotam o lado cliché e melodramático deste projeto, cujo enredo também é ocasionalmente afetado por certas imprecisões e implausibilidades que de certa forma reforçam a sua vertente fictícia, mas sem nunca terem a força suficiente para o arruinar.
A verdade é que depois de um filme com "Seven" é difícil fazer um filme de rapto familiar do mesmo calibre. Para além de um bom enredo da autoria de Aaron Guzikowski e de uma direção interessante de Dennis Villeneuve, “Prisoners” beneficia também de um par de boas performances por parte do aparente herói Hugh Jackman e do aparente vilão Paul Dano, mas a principal estrela do filme acaba mesmo por ser Jake Gyllenhaal, que arruma tudo e todos com o seu potente e preciso retrato de um polícia dividido entre dois ideais bem distintos. Hugh está muito empenhado no papel e na sua família. A procura de uma filha desaparecida é desesperante, mas falta qualquer coisa.
As sempre distintas Melissa Leo e Maria Bello também se destacam num plano mais secundário, contribuindo assim para ajudar este enigmático thriller a ganhar um pouco mais de força dramática, sendo que o drama está sempre omnipresente no desenrolar da sua trama altamente competente.
Viola Davis poderia ter mais destaque no seu papel. Paul Dano, que faz de Alex também tem destaque
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