Silêncio (2016)





Pela primeira vez Martin Scorcese aborda este tema. Silêncio é um filme épico de drama histórico de 2016, dirigido por Martin Scorsese a partir de um roteiro de Jay Cocks e Scorsese, baseado no romance homônimo de 1966 de Shūsaku Endō, marcando a terceira adaptação cinematográfica do romance. O filme é estrelado por Andrew Garfield, Adam Driver, Tadanobu Asano, Ciarán Hinds e Liam Neeson. O  enredo acompanha dois padres jesuítas do século XVII que viajam de Portugal para o Japão do período Edo, passando por Macau, para localizar seu mentor desaparecido e difundir o cristianismo católico. É o terceiro filme de Scorsese sobre figuras religiosas lutando contra os desafios da fé, após A Última Tentação de Cristo (1988) e Kundun (1997). 

O veterano padre jesuíta português Cristóvão Ferreira (Liam Neese) é forçado a assistir à tortura até a morte de japoneses convertidos ao cristianismo por se recusarem a renunciar à sua fé.

Alguns anos depois, no Colégio de São Paulo, em Macau, um padre jesuíta italiano, Alessandro Valignano, recebe a notícia de que Ferreira renunciou à sua fé no Japão. Incrédulos, os alunos portugueses de Ferreira, os jovens padres jesuítas Sebastião Rodrigues e Francisco Garupe, partem em busca dele, guiados por Kichijirō, um pescador perdido em Macau. Kichijirō busca redenção, pois renunciou à sua fé para se salvar, enquanto o resto da sua família era queimado vivo.

Ao chegarem à vila japonesa de Tomogi, em 1639, os padres encontram a população cristã local forçada a se esconder no subterrâneo por medo do "Inquisidor". Os aldeões escondem os dois padres, mas ficam horrorizados quando oficiais do xogunato chegam para descobrir os cristãos escondidos e forçá-los a pisar em um fumi-e, uma imagem esculpida de Cristo. Os aldeões que se recusam são abandonados na praia para se afogarem e seus corpos são cremados para que não possam ser enterrados adequadamente. Garupe parte para a Ilha Hirado e Rodrigues para a Ilha Gotō, o último lugar onde Ferreira foi visto.

Rodrigues encontra a aldeia destruída e, em 1643, Kichijirō o entrega às autoridades, que o aprisionam em Nagasaki. Rodrigues é forçado pelo Inquisidor, o daimyo Inoue Masashige, a assistir à tortura de convertidos. Ele fica chocado ao ver um Garupe emaciado entre eles; enquanto o Inquisidor tenta obrigar Garupe a renunciar à sua fé, o padre se recusa e, em vez disso, nada para tentar salvar uma mulher moribunda. Os guardas o mantêm debaixo d'água e ele se afoga. A fé de Rodrigues em Deus é abalada. Quando Kichijirō é preso ao seu lado, Rodrigues relutantemente ouve sua confissão.

Rodrigues é levado para conhecer Ferreira, que se assimilou à sociedade japonesa. Ferreira apostatou enquanto era torturado para salvar seus companheiros cristãos e agora acredita que o cristianismo não tem lugar no Japão. Naquela noite, Rodrigues é levado para assistir à tortura de cinco cristãos. Ele descobre que eles já apostataram, mas continuarão a sofrer até que ele também abandone sua fé. Rodrigues se questiona se é egocêntrico recusar-se a retratar-se quando isso acabará com o sofrimento dos outros. Ele ouve o que pensa ser a voz de Jesus, dando-lhe permissão para pisar no fumi-e, e ele o faz.

Rodrigues adota um sobrenome e uma esposa japoneses e é incumbido pelo Inquisidor de auxiliar Ferreira em seus esforços para impedir que comerciantes holandeses contrabandeassem parafernália cristã para Dejima. Ele ouve a voz de Jesus, que lhe assegura que, em vez de permanecer em silêncio como Rodrigues pensava, Jesus também sofreu ao lado daqueles que foram mortos.

Apesar de ter apostatado, Rodrigues é forçado por oficiais do xogunato a provar que não pratica sua antiga religião em segredo. Kichijirō é preso após ser flagrado com um amuleto cristão e Rodrigues nunca mais o vê. O ex-padre vive o resto de sua vida no Japão. Após sua morte em 1685, ele recebe um funeral tradicional japonês. Sua esposa tem permissão para colocar uma oferenda em sua mão para afastar os maus espíritos – ela coloca o pequeno crucifixo toscamente feito que lhe foi dado quando chegou a Tomogi, indicando que, em seu coração, Rodrigues permaneceu cristão por toda a vida.

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