O Mel Gibson encarnou o papel de Max Rockatansky de uma forma que eu julgava que era impossível de suplantar em 1979 e depois em em 1981. Foi um reboot do melhor que já foi feito. Depois do falhaço do reboot do Blade Runer 2049 este Mad Max não desiludiu.
Max num tempo de apocalipse. Ele acredita que a melhor forma de sobreviver é confiar apenas em si próprio. Ainda assim, decide se juntar a um grupo de rebeldes que atravessa a Wasteland. Capitaneada por Furiosa, o grupo parte em fuga em uma verdadeira máquina de guerra.
As jovens, partem em fuga em uma cidadela tiranizada por Immortan Joe. Ele acusa as raparigas de terem roubado algo insubstituível. Desesperado pela sua perda, o Senhor da Guerra reúne o seu exército e inicia uma perseguição aos rebeldes. Com isso, uma implacável guerra se inicia na estrada.
Charliz Theron e Tom Hardy estão no seu melhor. Alguém pergunta a Tom Hardy, na conferência de imprensa de apresentação de Mad Max: Estrada da Fúria no Festival de Cannes, se enquanto lia o guião de George Miller se tinha auto-questionado sobre a existência de tantas mulheres em seu redor ao longo de uma narrativa que supostamente deveria ser dominada por homens. A resposta seguiu-se com um “Não, nem por um minuto.”
Isto para dizer que é profundamente penoso analisar os rótulos retrógrados do cinema de ação, porque tudo parece ser medido com uma unidade exígua chamada testosterona – sim, aquela hormona que está patente nos bíceps do Schwarzenegger, na virilidade do Stallone, no facto de Tom Ford do Daniel Craig e até na voz radiofónica do Vin Diesel. E não fosse a existência de uma exceção de nome Ellen Ripley (Sigourney Weaver), seríamos até levados a concluir que os estrogénios estavam extintos neste lado tão sexista da indústria cinematográfica. Felizmente, George Miller vive na plenitude da sua saúde mental e é capaz de estabelecer o balanço natural das coisas nesta sua nova intrépida aventura. Intrepidamente a ação cria os novos mitos e personagens que anteriormente não existiam.
Não que o seu objetivo seja o de colocar a figura feminina num pedestal ou, como muitos dizem, fazer uma forte declaração política a favor da causa feminista – facto que, imagine-se, leva misoginistas com défice de inteligência a decretarem um inócuo boicote ao filme. O que Miller concretiza nesta sua obra-prima – e já lá vamos – é apenas o retrato da realidade evidente: homens e mulheres convivem no mesmo pedaço do planeta e ambos desafiam os seus instintos de sobrevivência na selvajaria que habitam.
A verdade é que é um filme excelente.
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