Este filme tem um imaginação incrível. Nicholas Kazan colocou-nos o medo nos nossos corações. O detective John Hobbes testemunha a execução de um assassino mas depressa percebe que os crimes recomeçaram e que um ser sobrenatural temível está disposto a arruinar a sua vida e a arrastá-lo para a perdição.
O nome Azazel mete-nos medo depois de vermos o filme. O que abre as portas para o demoníaco? De acordo com o padre Gabriele Amorth, o materialismo da sociedade hedonista, a difusão de cultos orientais e seitas satânicas, bem como a constante postura irreligiosa, um dos portais mais profícuos para a disseminação do demoníaco. A sua presença em nossa sociedade, como explicam os estudiosos de Antropologia e Sociologia, é um processo de transferência. As pessoas descarregam numa figura externa todo mal que enxergam em si. Assim, o demônio fascina a humanidade e é uma peça necessária, sem a qual a sociedade jamais consegue viver e se articular, pois nos ajuda a identificar, bem como exorcizar, nossos impulsos primários.
Desta maneira, podemos observar que é considerado demoníaco tudo aquilo que nos remete ao animalesco, parte de nossa concepção: a excreção, a violência, o vômito, a doença, a morte, o aspecto grotesco do sexo. É divino, no entanto, tudo que indica ao homem a sua condição superior aos outros animais: o amor e a inteligência, bem como a renúncia aos instintos básicos, até mesmo a possiblidade de encontrar o aspecto sublime do sexo. No desenvolvimento de Possuídos, tais questões aparecerão como parte da reflexão geral da história, com a presença demoníaca a trafegar inicialmente num “vaso” errante, isto é, por meio de um criminoso homossexual responsável por crimes abomináveis.
Um filme policial hollywoodiano com filme de terror sobrenatural, Possuídos é um filme surpreendente. Lançado em 1998, sob a direção de Gregory Hoblit, cineasta que teve como guia, o roteiro de Nicholas Zakan, a produção nos leva a compreender que todas as informações estão dispostas na trajetória angustiante do herói John Hobbes (Denzel Washington), mas ainda assim, há surpresas em seu desenvolvimento, bem como espaço para um plot twist que funciona muito bem como parte do encerramento da história.
Ao longo de seus 128 minutos, o filme nos apresenta, por meio de uma narrativa circular, a investigação de Hobbes, policial que se vê envolto numa série de assassinatos realizados do mesmo modo operacional que Edgar Reese (Elias Koteas), um criminoso enviado para a câmara de gás, personagem que ao morrer, esbraveja uma série de palavras desconhecidas. Seria um imitador? Uma brincadeira diabólica? Uma série de coincidências? Ao passo que as vítimas vão aparecendo, junto a uma série de códigos para decifração, Hobbes percebe que há algo de sobrenatural e demoníaco na situação, o que promete uma batalha infernal até o desfecho da trajetória.
Mais adiante, após bastante investigação e análise de dados, Hobbes descobre que uma entidade demoníaca intitulada Azazel é a responsável pelos crimes em não fora eliminada durante a morte do criminoso na câmara de gás. Agora, a presença maligna pode se transferir simplesmente por meio de um toque. Ao habitar peremptoriamente os corpos que trafega, Azazel traz a incerteza e o obscurantismo para a vida de Hobbes e das pessoas que gravitam em torno de sua existência, promovendo, assim, um assustador jogo de possessão demoníaca.
Há uma sequência, em especial, unânime na opinião das pessoas que já assistiram ao filme. Trata-se do efeito dominó estabelecido quando o demônio persegue Gretta Milano (Embeth Davidtz) na rua, transferindo-se de corpo para corpo, cantarolando Time Is On My Side, dos Rolling Stones, música que por sinal, nos indica a presença maligna em cena. Todos aqueles que entoam a canção de alguma forma entraram em contato com Azazel.
O elenco Denzel Washington como Detective John Hobbes, John Goodman (Detective "Jonesy" Jones), Donald Sutherland como tenente Stanton, Embeth Davidtz com o papel de Gretta Milano, James Gandolfini é o Detective Lou e Elias Koteas como o condenado à morte.

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