No geral, é uma narrativa de sobrevivência, uma trama repleta de momentos de tensão entre humanos que adentram num embate de proporções quixotescas, tendo a temática selvagem como pano de fundo para a abordagem essencialmente humana do texto.
Dirigido por Lee Tamahori, baseado no argumento de David Mamet, No Limite é uma narrativa de luxo em todos os seus aspectos estéticos e no que concerne alguns desempenhos dramáticos.
O enredo, conhecemos Charles (Anthony Hopkins), um homem culto, sempre observador das coisas que gravitam em torno de seu cotidiano. Ele é esposo de uma mulher bem mais jovem, modelo que segue em viagem para uma região gélida dos Estados Unidos para ser fotografada por Robert Green (Alec Baldwin). Ele desconfia que a sua mulher mantém um caso tórrido com o fotógrafo, algo que será revelado como verdadeiro ou não mais adiante, depois que eles sofrem um acidente de avião ocasionado por um encontro inesperado com um bando de aves migratórias. Só isso já seria suficiente para pincelar No Limite com um leve verniz de horror ecológico, mas a associação com o subgênero ocorre mais adiante. Após a situação, eles sobrevivem, mas o piloto do avião morre. Ah, sim, eles viajam para um reconhecimento de área e pesquisa. A esposa e os demais viajantes do grupo ficam na estalagem. No meio da selva, perdidos, eles estão acompanhados por Stephen (Harold Perrineau Jr.), assistente do fotógrafo, personagem afroamericano que sabemos, não vai durar muito nesta situação. Para contar o resto da história ficam os dois homens, em guerra entre si e com confrontos além do enorme e agressivo urso que aparece para tornar os desafios ainda maiores que a fome e o cansaço do acontecimento adverso.
Com eficiente direção de fotografia de Donald McAlpine, No Limite investe em equilíbrio na representação dos dramas humanos em planos mais fechados, associados aos momentos de abertura do quadro para contemplação das paisagens reais e os trechos gravados em estúdio, adornados pelos efeitos visuais supervisionados por Kent Houston, setor responsável por ampliar a dimensão de “maravilhamento” e perigo diante das belezas e medos apresentados pelo ambiente selvagem inóspito. O urso, “interpretado” por Bart, uma criatura adestrada e já circundante no esquema de produções hollywoodianas entrega o seu desempenho com ajuda dos efeitos especiais da equipe de Mike Vezina, também eficientes e adequados para o desenvolvimento da narrativa que mescla elementos de gêneros distintos do cinema. No design de produção, Wolf Kroeger entrega uma atmosférica estalagem para os hospedes nos primeiros momentos situados no território geográfico gélido, sensação somada ao competente trabalho de Jerry Goldsmith na concepção da trilha sonora, uma textura percussiva adequada para a narrativa em questão. Ademais, nada de surpreendente ou inesquecível. Apenas um grande e bom filme, bastante funcional nas cenas com o “ataque animal”, em meu olhar, um dos maiores atrativos.
Anthony Hopkins é um ator incrível

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