Kingdom of Heaven

 




Este filme seria a rampa de lançamento de Orlando Bloom...Ridley Scott, mas de produção europeia. Século XII, época em que o sultão Saladino (de origem Curda) reconquista a cidade de Jerusalém (1187), que os cristãos da Primeira Cruzada (1090) haviam tornado capital de seu Reino Latino.


No filme, o personagem principal, Belião, é um ferreiro assombrado pelo suicídio recente da esposa e a decapitação do cadáver antes do sepultamento, que se torna Cavaleiro e Barão de Ibelin (um território grego na Terra Santa), graças à inesperada visita de seu pai, o nobre Godofredo de Ibelin. Após a morte do pai, ele viaja para Jerusalém e, no caminho, mata, em um duelo singular, um experiente guerreiro muçulmano. Em Jerusalém, Belião toma posse de seu feudo, torna-se amigo do rei-leproso, Balduíno IV, Conselheiro Real em Tibérias, Conde de Trípoli, e namora Sibila, irmã do rei de Jerusalém.


Na realidade Balião de Ibelin era um dos três filhos de Barisan de Ibelin (e não Godofredo) (de origem francesa ou normando-siciliana) que tinha sido e participava da Alta Corte do Reino Latino de Jerusalém. Não teve um caso com a princesa Sibila de Jerusalém, que era irmã do rei-leproso e mãe do herdeiro do trono, Balduíno V (ainda uma criança e solenemente omitido no filme). Segundo o historiador árabe, Ali ibne Alatir, Sibila apaixonou-se "por um recém-chegado do Ocidente, um certo Guido (de Lusinhão). Ela o esposou e, com a morte prematura de Balduíno V, colocou a coroa na cabeça do marido".


No filme, o Conde de Trípoli (Tibérias), que é o artífice da política de coexistência pacífica com o sultão Saladino, abandona Jerusalém quando Guido sobe ao trono e conduz os cristãos à desastrosa Batalha de Hatim. Mas ibne Alatir nos exibe outra imagem do conde: "ele era muito ambicioso e desejava ardentemente tornar-se rei". Durante algum tempo, o conde (cujo nome real era Raimundo III de Trípoli) foi regente do rei-menino, Balduíno V, mas perdeu prestígio com a ascensão de Guido, o que lhe gerou tanto rancor que escreveu a Saladino oferecendo-lhe sua amizade, em troca do trono de Jerusalém. O máximo que conseguiu foi ter sua fuga para Trípoli garantida pelo sultão.


O grande vilão do filme é Reinaldo de Châtillon, cavaleiro da Ordem dos Templários, responsável pelo ataque a uma caravana muçulmana, fato que levou ao rompimento da trégua construída por Balduíno IV e consequente investida de Saladino contra Jerusalém. Após a Batalha de Hatim, é aprisionado (juntamente com Guido) e morto pelo próprio sultão, sendo este um dos pontos em que os relatos historiográficos e o filme de Ridley Scott não conflituam. Mesmo assim, não é totalmente plausível pois Reinaldo não pertencia à referida ordem de cavalaria embora mantivesse uma boa relação com o seu grão-mestre Geraldo de Ridefort. Segundo o escritor Imadadim de Ispaã, conselheiro de Saladino, que assistiu à sua decapitação, "a cabeça de Reinaldo foi cortada e o seu corpo arrastado diante do rei Guido, que começou a tremer".


Balião foi realmente o responsável pela defesa de Jerusalém, como mostra o filme. O cerco da cidade durou de 20 a 29 de setembro de 1187 e terminou com um acordo entre Balião e Saladino. No filme, o cristão entrega Jerusalém em troca de salvo-conduto gratuito para todos os seus habitantes, sob ameaça de destruir os "lugares santos" da cidade.


O filme acaba com Belião retornando à França, na companhia de Sibila e acaba com um prejuízo de 83 milhões de dólares. Edward Norton é o Rei Balduino, mas ele não quis que o seu nome ficasse nos créditos porque ele surge sempre de máscara.

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