Parasitas

 



Parasita é um filme sul-coreano de thriller, drama e comédia, dirigido por Bong Joon-ho. Lançado em 2019, o longa-metragem tem feito um enorme sucesso internacional depois da sua exibição no Festival de Cinema de Cannes, onde venceu a Palma de Ouro.

No ano seguinte, Parasita foi o grande vencedor do Oscar 2020, premiado nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original e Melhor Filme Estrangeiro.

Foi a primeira vez que uma produção que não é falada na língua inglesa venceu a premiação de Melhor Filme, fazendo história e abrindo novas portas para o cinema dos vários cantos do mundo.

O filme de Bong Jonn-ho retrata as ações de uma família pobre (os Kim), que manipula uma família abastada (os Park) para arrumar trabalho.

Através de uma série de mentiras e planos mirabolantes, os vigaristas conseguem se "infiltrar" na mansão luxuosa, como um parasita que habita um corpo sem que ele perceba.

A casa também está cheia de mistérios que os Kim vão desvendando ao longo da narrativa. Um filme marcado pelo terror psicológico, Parasita também tem os seus momentos sangrentos e rende boas gargalhadas.

Fazedo uma paragem à análise do filme fomos pesquisar se na  Coreia do Sul existem as desigualdades sociais que no argumento de Bong Joon Ho e Han Jin-won existem no filme.

Neste site podemos comparar a economia dos países. Ainda assim, a Coreia do Sul foi um dos poucos países do mundo a conseguir sair da pobreza sem cair na armadilha da renda média. Hoje, por exemplo, a rendimento médio per capita dos sul-coreanos é de 1.638260 € contra 1.725.370€ de rendimento médio em Portugal

Apesar da desigualdade causada pelo vertiginoso crescimento econômico, a nação também se destaca por marcadores positivos. A Coreia do Sul tem a maior taxa de educação superior da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE):  70% dos sul-coreanos têm diploma de Ensino Superior. Na saúde, o país também se destaca, com uma expectativa média de vida de 83 anos. 

Atenção: a partir deste ponto, o artigo



contem spoilers!

Contrastes sociais e relações familiares

Desde o primeiro frame, Parasita traça um retrato crítico da realidade sul-coreana, chamando atenção para as desigualdades econômicas que dividem aquele país.


Em dois polos opostos, as famílias Kim e Park simbolizam dois modos de vida totalmente distintos: uns vivem abaixo do limiar da pobreza e os outros são milionários. Isso se torna visível nas dinâmicas, nos problemas e nos universos mentais dos núcleos familiares.

Os Kim trabalham todos juntos e vão inventando vários jeitos de sobreviver em família. Os filhos precisam contribuir para o sustento de todos e são incluídos nos golpes, sendo essenciais no decorrer da narrativa.

Por outro lado, os Park parecem menos unidos, com um pai que passa muito tempo fora e uma mãe que vive preocupada com tudo. Os filhos vivem numa espécie de redoma, muito protegidos e dedicados aos estudos.

Enquanto isso, Ki-woo e Ki-jeong precisam lutar pela sobrevivência em todos os momentos. Até para dar o golpe na família Park, os jovens Kim precisam ficar com o celular perto do teto, para roubar a internet da vizinha.

O destino da família Kim muda de repente, quando o amigo Min-hyuk chega com um presente: uma pedra que é um talismã feito para atrair riqueza. Ele traz também uma oportunidade de trabalho, propondo que Ki-woo se faça passar por professor e o substitua.

Como foi militar, o jovem sabe falar inglês e a sua irmã falsifica um diploma de uma Universidade conceituada. Assim que é contratado, ele descobre que existe uma vaga de professora de arte e passa o contato da sua irmã, que finge ser outra pessoa, Jennifer.

Como temos mencionado nesta análise, Parasita é um filme que fala sobre dinheiro: a sua abundância e também a sua ausência, lado a lado. Tudo isso vai ficando mais evidente através da narrativa, que vai esclarecendo e confundindo o espectador, a cada cena.

Apesar de contar a mesma história, o longa-metragem pode transmitir mensagens muito diferentes para aqueles que assistem, dependendo da sua própria interpretação e mundividência.

O que parece estar em jogo é a nossa capacidade de sentir empatia, ou não, por estes indivíduos e os atos criminosos que cometem. À primeira vista, os Kim são claramente os vilões da história: uma família manipuladora, que invade a vida de uma família abastada e ameaça a sua segurança.

Assim, no final, quando eles recebem o "castigo merecido", podemos considerar que tudo acabou bem. Por outro lado, é possível encarar a trama com outra visão, mais atenta à sociedade sul-coreana e as suas desigualdades gritantes. Através dessa perspectiva, podemos considerar que estes sujeitos mentem e dão golpes por necessidade, por sobrevivência.

O mesmo teria acontecido com o marido da antiga empregada que, sem outra solução possível, se escondeu no bunker para não ser assassinado. O que estes personagens têm em comum é a falta de opções, a vida miserável que não oferece muitas saídas: por isso, qualquer oportunidade tem que ser agarrada com unhas e dentes.

Este filme é uma obra prima do cinema mundial.

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