Gallileo, Gallileo! “Bohemian Rhapsody” estreou em 2018 e trouxe a história dos Queen para salas de cinema do universo conhecido pelo homem. A formação do grupo liderado por Freddie Mercury é contada durante pouco mais de duas horas de muita música e de uma atuação impressionante de Rami Malek. Por trás das câmeras, integrantes do Queen ajudaram a construir o filme. Brian May e Roger Taylor participam do filme como produtores executivos, ao lado de ninguém menos que Robert DeNiro.
Aliado às inúmeras músicas destacadas para traçar uma linha temporal clara, temos uma das grandes atuações de 2018, daquelas que torna possível o esquecimento de quem está por baixo dos trejeitos. Mas entre o bigode, o óculos e a presença irreverente está Rami Malek (Mr. Robot), em perfeita sintonia com Freddie. Sua homossexualidade, seus relacionamentos e problemas relacionados à solidão são alguns pontos abordados pelo roteiro, mas parecem apenas passar sucintamente por estas questões que tanto o marcaram. O grande foco aqui é mostrar Freddie nas horas em que não solta a voz e no modo como se porta perante o crescimento do Queen; e o destaque de tal foco se dá através de sua longa relação com Mary, interpretada por Lucy Boynton. Estas aproximações funcionam para compor a biografia de um modo mais aberto, mas impossibilitam um maior aprofundamento íntimo do protagonista.
O que o filme faz (e muito bem) é aproveitar seu lado musical. Além de bem dirigidas, as cenas que exibem o making of de canções como a do título e We Will Rock You são fascinantes, dando a sensação de que presenciamos, décadas depois, o surgimento de pérolas do rock. Fora a divertida integração do grupo para compor as inovações contidas nos quase seis minutos de Bohemian Rhapsody, Rami Malek entrega uma carga verdadeira e sobretudo catártica nos momentos em que vemos suas composições vocais ou no piano nascerem. Ver aquele olhar distante e ao mesmo tempo surpreso consigo mesmo é de uma sensibilidade enorme, deixando ainda mais clara sua aproximação para com a figura de Freddie. Ao dublar as músicas (por razões óbvias), fica evidente que o ator transferiu todo o empenho vocal para o trabalho físico, tornando magnética sua presença em cada quadro.
Se deve haver um Bohemian Rapsody 2? Não. O filme foi bom, recebeu 4 óscares da Academia de Hollywood e tantos outros prémios de outras instituições.
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