O filme deve ser genial, mas para mim não fez muito sentido e só queria que acabasse. Eu não percebo o conflito e não vou fingir que sou erudito. Keneth nasceu na capital da Irlanda do Norte a 10 de Dezembro de 1960. Os irlandeses percebem o filme, mas para nós é complicado perceber as nuances da Irlanda.
No filme BELFAST, o realizador propõe uma versão ficcionada da sua juventude e de si mesmo e, para dar consistência a este investimento pessoal, decidiu ao fim de várias décadas de carreira desenterrar das suas memórias a vida simultaneamente simples e atribulada de um rapaz de nove anos, Buddy – personagem admiravelmente interpretada por Jude Hill – uma criança aparentemente feliz e contente com o micro-cosmos do bairro onde partilha com outras crianças diversos jogos e brincadeiras. Precisamente nas mesmas ruas onde um dia será confrontado com as convulsões da fortíssima agitação que veio acentuar as contradições sociais e políticas que sempre dividiram os moradores menos abastados daquele pedaço da Irlanda, os que não couberam na autonomia alcançada e conquistada após o brutal conflito entre irlandeses e britânicos, que deu lugar nos anos 20 ao Irish Free State e que depois de uma igualmente devastadora guerra civil passou a gozar de uma verdadeira independência. Mas com um senão, que ainda hoje persiste, o de ser uma situação conquistada e consolidada a Sul, mas não a Norte. De facto, os habitantes da Irlanda do Norte na época em que decorre a acção de BELFAST não eram apenas e só, como alguns falaciosamente ainda hoje querem fazer crer, vítimas das divergências de natureza religiosa.
Um elenco de luxo, soberbas interpretações e com sete nomeações para Hollywood.
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