Rodrigo Garcia é o realizador e argumentista. Nunca tínhamos visto o seu trabalho e consegue juntar dois atores com credenciais formadas e cimentadas com um longo percurso cinematográfico. Uma história sobre dois meio-irmãos que se reúnem para estar presentes no funeral do pai.
Raymond (Ewan McGregor) é o irmão atinado, passa sempre as camisas a ferro, gosta de ordem e assume que não é feliz no seu trabalho. Tem também dois divórcios e vive com o trauma de ter sido desprezado pelo pai, alguém que teve um caso com uma das suas ex. Ray (Ethan Hawke) é o irmão artista, um músico de jazz a tentar recuperar de uma recente viuvez e de uma juventude mergulhada na toxicodependência. Ambos sempre tiveram uma relação distante com um pai que nunca o soube ser. E neste funeral vão descobrir ainda mais segredos de família e perceber se ainda têm uma atração fraternal, mesmo apesar das diferenças.
Creio que se o filme não tivesse a presença de Ewan e Ethan o filme seria um flop. O nosso interesse. continua face à atuação destes dois atores, porque o argumento em si não é cativante. Tem salpicos de situações cómicas, talvez de humor negro.
Spoilers
O corpo do pai está virado para baixo, ou seja a cara está colocada no fundo do caixão e isto gera um discussão entre os dois irmãos, com Ray a dizer que o pai deles fez sexo com a ex-mulher de Raymond e que o filho dele é seu irmão. Raymond está detroçado e pega num pistola e coloca o seu peito, mas dispara contra o caixão. Ray toca trompete e o pai é finalmente enterrado.
Raymond lê uma carta em que o pai lhe diz que o Ray não é filho dele, que a sua Mãe já estava grávida quando eles começaram a relação e que ainda assim amou muito o Ray.
Nota final:
Nós percebemos a tentativa de Hollywood de normalizar alguns aspetos do catolicismo. A paternidade é o primeiro aspeto, o Ius Sanguinis. O princípio de sangue foi atribuído aos descendentes de europeus principalmente em consequência das grandes emigrações europeias dos séculos XIX e XX, visando a dar um abrigo legal aos descendentes dos emigrantes nascidos fora do território de determinada nação.
No continente americano prevalece o direito de solo. Isto ocorre justamente em função do impulso à colonização exercido pelos países do Novo Mundo, com grandes áreas pouco povoadas.Países como Itália, Portugal, Espanha, França, Inglaterra, Japão, Austrália, Alemanha adotam o jus sanguinis.

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