Monte dos Vendavais 2026


 A Margo Robbie com sotaque inglês. O filme de 1939 no seu tempo marca uma geração e a verdade é que os tempos mudaram, o nosso pensamento sobre filmes longos de romance já temos pouca paciência. 

Considerado uma obra-prima da narrativa romântica vitoriana, não é de estranhar que o romance de 1847 da escritora inglesa Emily Brontë (1818-1848), intitulado Monte dos Vendavais, tenha dado origem a inúmeras produções tanto no cinema como na televisão. Mas de certeza que nenhuma é tão original e inovadora como este filme de Emerald Fennell, com Jacob Elordi e Margot Robbie. Esta longa-metragem retrata a apaixonante, trágica e tempestuosa história de amor, nas paisagens das charnecas de Yorkshire, entre Heathcliff, um pobre rapaz abandonado que é acolhido por uma família, e a sua meia-irmã Catherine, que se conhecem desde crianças e se amam desde sempre.


O poderoso casal protagonista, Margot Robbie e Jacob Elordi, são dois dos actores mais talentosos, solicitados e sexy do panorama atual. Ela é uma superestrela graças a Barbie (2023) e às suas três nomeações para os Óscares (duas como atriz e uma como produtora). Ele é o ator do momento graças ao seu incrível trabalho em Frankenstein de Guillermo del Toro. Ambos são australianos e apareceram juntos pela primeira vez no anúncio do Chanel N°5 realizado por Luca Guadagnino em 2024 (embora na verdade não tenham partilhado o ecrã em nenhum momento). Sabemos que a Margo Robbie apostou muito neste remake

Quanto a Emerald Fennell, é uma das vozes mais originais e surpreendentes do novo cinema britânico. Como a própria realizadora confessou, aos sete anos disse aos pais que, quando fosse grande, queria escrever histórias sobre assassinatos e viver nos EUA. Então, tornou-se atriz e participou em filmes como Albert Nobbs (2011), A Rapariga Dinamarquesa (2015) ou Pan: Viagem à Terra do Nunca (2015), embora se tenha realmente tornado popular com a série Chamem a Parteira (2013-2017) e também quando entrou no papel de Camilla Parker Bowles em The Crown (2019-2020). Já em 2020, lançou-se na realização com Uma Miúda com Potencial. A sua segunda longa-metragem foi ainda mais apelativa. Intitulada Saltburn (2023), foi uma surpreendente releitura do romance Brideshead Revisited, de Evelyn Waugh, e será lembrada não só, mas sem dúvida, pela dança final de Barry Keoghan.

Uma Miúda com Potencial, ou história da vingança de uma jovem ultrajada, recebeu cinco nomeações para os Óscares, incluindo uma para a sua protagonista, Carey Mulligan, e três para a realizadora. Então, Emerald recebeu a nomeação para Melhor Filme, Melhor Realizadora e Melhor Argumento Original, e ganhou com a última. Além disso, tornou-se a sétima mulher da história e a primeira britânica a ser nomeada para Melhor Realizadora.


Em declarações à BBC, a cineasta confessou que o seu objetivo com esta nova adaptação do clássico de Emily Brontë é “transmitir a sensação primitiva que tive quando li o livro pela primeira vez, quando era adolescente – foi algo de cariz emocional e sexual. Senti uma ligação profunda quando li o livro aos 14 anos. A história é difícil, é complicada, simplesmente é diferente de tudo o resto. É completamente única. É sexy. É horrível. É devastadora”. Emerald também admitiu que sempre quis adaptar o romance, mas foi só depois da repercussão que teve Saltburn que teve luz verde. “Estou obcecada há muito tempo. Este livro deixou-me louca e não pensei em mais nada durante os dois anos em que estive a trabalhar no projeto. No fundo há um pouco de masoquismo extremo ao tentarmos fazer um filme a partir de um material que significa tanto para nós. Na verdade, foi bastante angustiante, de uma forma muito interessante”.

Vale a pena lembrar que Emerald Fennell já tinha trabalhado tanto com Margot como com Jacob. Por um lado, Margot produziu as duas primeiras longas-metragens da cineasta, Uma Miúda com Potencial (2020) e Saltburn (2023). Por outro, Emerald aceitou interpretar Midge em Barbie (2023), a boneca que foi descontinuada por estar grávida. Por sua vez, Jacob foi o sedutor e aristocrático Felix Catton em Saltburn (2023).

Voltando à história do filme que vos apresentamos aqui, começamos por conhecer Heathcliff ainda criança, quando chega à propriedade e vai morar com sua nova família, e depois a sua história continua na idade adulta.

A história começa quando o alcoólatra Sr. Earnshaw (Martin Clunes) traz para casa um menino de rua que ele chama de "animal de estimação". Catherine (Margot Robbie) o batiza de Heathcliff (Jacob Elordi), em homenagem ao seu falecido irmão. Os dois formam um laço selvagem e inseparável. O papel do protagonista nessa primeira parte do enredo, coube a Owen Cooper (nascido em Cheshire, Inglaterra, em 2009), a grande revelação de 2025 graças ao seu desempenho formidável na série Adolescência. 

Procurando escapar da vida social, Catherine corteja o rico vizinho Edgar Linton. Em uma cena crucial, Heathcliff ouve Catherine dizer à sua dama de companhia Nelly Dean (Hong Chau) que casar com ele a "degradaria". Desolado, Heathcliff desaparece na noite. Anos depois, Catherine está casada com Edgar e grávida. Heathcliff retorna — agora rico e elegante — e os dois iniciam um caso extraconjugal tórrido e destrutivo. A Tragédia: O filme explora o "êxtase e a degradação" do amor deles, apresentando imagens com conotação BDSM e sequências explícitas. A história termina com Catherine desenvolvendo uma septicemia após um aborto espontâneo e uma greve de fome, o que a leva à morte. O filme termina com uma lembrança assombrosa da infância deles, quando Heathcliff implora ao espírito dela que nunca lhe dê paz.
Assim, Monte dos Vendavais também representa a estreia no cinema deste jovem ator. Mas Owen já soma e segue, e encontra-se atualmente a preparar Cry to Heaven, a nova longa-metragem de Tom Ford. onde partilhará o ecrã com Nicholas Hoult, Aaron Taylor-Johnson, Colin Firth, Ciarán Hinds e a cantora Adele, entre muitos

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