Com o grande ator Chiwetel Ejiofor e o fime é inspirado no fenómeno viral da internet criado por Kane Parsons, Backrooms acompanha a descoberta de uma misteriosa passagem que conduz a uma dimensão paralela composta por corredores intermináveis, espaços vazios e labirínticos, iluminados por uma luz artificial inquietante. À medida que diferentes personagens entram neste universo estranho e claustrofóbico, percebem que não estão sozinhas: algo se esconde nas “Backrooms”. Presos num lugar onde a lógica da realidade deixa de existir, terão de lutar para sobreviver e encontrar uma saída — antes que sejam consumidos por forças desconhecidas.
Estamos nos anos 90. Clark (Chiwetel Ejiofor) é dono de uma loja de mobília em apuros (de notar a referência à imagem original do 4chan, que retratava precisamente uma loja de mobília), encontra na cave do seu negócio uma fenda na parede e atravessa-a. Do outro lado não há monstro à espreita nem orquestra de cordas a avisar-nos do perigo. Há apenas espaço. Salas que dão para salas que dão para corredores que não levam a lado nenhum, cadeiras a derreter no chão, ângulos que a geometria recusa explicar. Como alguém descreve no filme, é como se tudo tivesse sido montado por "trolhas em ácidos".
Parsons, em vez de nos atirar para o horror, tenta afundar-nos nele. E consegue-o através do triunfo absoluto do filme, o design de produção. O complexo é deslumbrante de uma forma que magoa e a decisão de o construir como cenário físico à escala real, em vez de o entregar a um servidor de efeitos digitais, paga dividendos em todos os planos. Sente-se o peso do ar parado, a textura da alcatifa, um silêncio que não é ausência de som mas presença de algo.
Há cenas em que ficamos completamente submersos naquele ambiente liminar, e existe uma em particular, em formato found footage característico dos vídeos originais, que mostra que este é o registo letal de Parsons. O filme tem muitas falhas, mas vale o preço do bilhete nem que seja por aquela meia hora que nos deixa agarrados à cadeira, com a sensação de que estamos a ver algo que não devíamos, em sítios verdadeiramente aterrorizantes.
E o sítio que mais nos aterroriza é também o que mais nos convida a explorar. Confesso a minha maior frustração, queria correr. As personagens movem-se devagar, cautelosas, e tudo o que eu desejava era largá-las e disparar pelos corredores, embrenhar-me naquele lugar, ver mais, e mais, e mais, alimentar-me dos sentimentos contraditórios que aqueles espaços evocavam. E infelizmente, o meu apetite pelo abismo não foi saciado. Isto porque Backrooms não mantém esta altitude do princípio ao fim. O filme nunca volta a atingir os píncaros do build-up até ao momento da found footage, e o problema tem nome, o terceiro ato.
À medida que a narrativa tenta ligar a sua corrente subterrânea de trauma à conspiração que sustenta o mistério, as paredes começam a ranger. As revelações chegam de forma confusa, atadas com nós abruptos. E existem intermináveis momentos (chamemos-lhes "terapêuticos", para evitar spoilers) que não seriam um problema se acrescentassem peso real ao enredo. E no final, até parecem acrescentar, mas o resultado nunca é satisfatório o suficiente para compensar todas as vezes em que nos arrancam de dentro das Backrooms
Dirigido por Kane Pixels o filme é um mergulho no terror psicológico e existencial. O desfecho mistura fuga, memórias e a natureza distorcida daquela dimensão.Para entender o que acontece na conclusão, é preciso dividir em três pilares fundamentais:1. O Destino de MaryNa reta final, Mary consegue usar um objeto (cimento com impressões de mãos) para atordoar a versão monstruosa de Clark e escapar. Ela chega a uma instalação e é resgatada por pesquisadores da organização Async (liderada por Phil, interpretado por Mark Duplass). Contudo, a tensão final sugere que, embora o corpo de Mary tenha escapado, ela pode estar espiritualmente presa. O filme indica que ela carrega a dimensão consigo, assim como os Backrooms criaram uma cópia imperfeita dela que continua vagando por lá.2. O Destino de Clark e seus TraumasO protagonista Clark é consumido pelas próprias inseguranças, fracassos e ressentimentos. Ele acaba encontrando uma criatura monstruosa — o "Capitão Clark", inspirado no antigo mascote de sua loja de móveis. Essa entidade representa seu lado destrutivo e seus traumas. Incapaz de lidar com seus erros, Clark é derrotado pelo monstro e deixa-se consumir de vez pelo ambiente.3. O Significado dos BackroomsO filme trabalha com a ideia de que os Backrooms não são apenas uma dimensão física ou "labirinto infinito", mas sim uma manifestação das memórias e da mente das pessoas. O espaço copia e distorce elementos do mundo real (como lembranças de infância e cenários familiares) baseando-se no estado emocional de quem lá entra. A mensagem é que os personagens já estavam presos em "prisões psicológicas" em suas cabeças antes mesmo de caírem na dimensão.Gostaria de explorar a relação entre a empresa Async e o surgimento dos Backrooms, ou quer entender mais sobre as outras entidades e níveis dessa dimensão.
Há sempre uma empresa malvada (e há mesmo). Os cientistas são diretamente responsáveis pelo desfecho da coprotagonista. Após uma tensa cena de perseguição no terceiro ato, a psiquiatra Dra. Mary Klein consegue escapar de um ataque de Clark (que já enlouqueceu dentro do complexo) e atravessa uma passagem estreita.Ao cruzar essa saída, ela não regressa à civilização normal, mas cai diretamente nas mãos dos cientistas da Async, que a capturam e a levam para as instalações de testes da empresa, deixando o destino dela em aberto para uma eventual parte 2.

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